CISS – HERÓIS OU VILÕES?

Eng. Cássio Rodrigues

Fonte: Revista Guia do Reciclador – Ano 5 – Nº32 – Abr/Mai 2009

Por muito tempo convivi com os sistemas de alimentação contínua de tinta, os chamados CISS, (Continuous Ink Supply System) ou no jargão do Mercado, os “bulks Inks”, e, devido a uma série de situações vividas com eles, resolvi escrever um artigo para que possa explicar um pouco sobre seu uso.

Os CISS não são sistemas novos. Vêm desde as impressoras “Wide Formats”, ou “plotters”, como os Encad, HP e Epson, praticamente sem mudanças, e sempre existiram para as impressoras de pequeno porte. Seu “boom” realmente deu-se nos últimos 2 anos, pela popularização das impressoras domésticas Epson, e principalmente pela popularização das fotografias digitais.

Há alguns anos atrás, quando mencionava sobre tintas específicas para cartuchos, as impressoras fotográficas estavam aparecendo e sua popularidade estava diretamente ligada aos preços dos consumíveis. Atualmente, vemos os preços das impressoras despencarem, as pessoas adquirindo máquinas digitais e principalmente procurando imprimir suas fotos. É evidente que o preço das fotografias quando imprimimos com suprimentos originais são quase proibitivas, e, portanto o uso do CISS é extremamente econômico.

Vantagens dos CISS:

A primeira vantagem dos Bulk Inks é o preço da fotografia:

Usando uma impressora C-110, dotada de 5 cartuchos (custo total R$ 140,00), podemos imprimir cerca de 350 páginas com cada cor e 740 com os pretos, sempre com cobertura de 5%. Com um sistema de alimentação contínua, cheio com tinta (500 ml), podemos imprimir até 400 fotos, em papel A4, ou mais de 8 mil folhas com a mesma cobertura.1

Quando olhamos os custos de cada folha impressa com 100% de cobertura, chegamos a incríveis R$ 0,12, e se compararmos com o custo de uma página impressa com os originais, de R$ 2,00 pela mesma cobertura, a vantagem torna-se extremamente evidente.

Os maiores usuários deste sistema então são pessoas que necessitam de grandes volumes de impressão a custos baixíssimos, como Lan-houses, cópias de CD, impressão de apostilas e documentos volumosos, fotografias, além de usuários domésticos, maravilhados com a nova possibilidade de tecnologia que são as máquinas digitais. Não recomendamos o uso de um CISS por pessoas que pouco imprimem, pois o valor do investimento não compensará ao usuário.

Os sistemas de alimentação contínua também não tiram a originalidade da impressora, pois os tubos e cartuchos são facilmente colocados na parte externa da máquina, e removidos sempre que necessário. Os braços de fixação dos tubos são presos por adesivos especiais que não reagem com a carcaça plástica da máquina e podem então ser removidos sem que resíduos de adesivo fiquem visíveis.

Instalação

Os maiores problemas com a instalação de um CISS são devido à falta de leitura ou mesmo observação dos manuais que sempre os acompanham. Caso seu CISS não tenha um manual, basta seguir os seguintes passos:

  1. Separar as peças
  2. Tenha calma. Muita calma…
  3. Verificar se as mangueiras estão conectadas nos cartuchos, e se estes estão na ordem certa de colocação de acordo com seu equipamento
  4. Os tanques normalmente possuem dois orifícios: um para a colocação da tinta e um para o respiro. Tampe o respiro com a tampinha que acompanha o kit
  5. Encha cada tanque com a tinta apropriada e aguarde que esta comece a percorrer as mangueiras.
  6. Normalmente os cartuchos possuem uma pequena tampa de silicone em sua parte superior. Ao retirá-la, você verá que a tinta flui com mais rapidez pela mangueira. Tampe quando perceber que os cartuchos estão cheios.
  7. Caso perceba que a tinta não enche os cartuchos, use a seringa que acompanha o kit, forçando delicadamente a tinta percorrer o trajeto. Lave a seringa a cada cartucho, se sujar de tinta, para que não contamine o cartucho.
  8. No reservatório, feche o orifício de entrada de tinta (complete de tinta se necessário), e abra o respiro, instalando o pequeno filtro que deve acompanhar o kit.
  9. Ligue sua impressora
  10. Deixe que o carro chegue à sua posição central, solicitando os cartuchos, e neste momento, desligue-a da rede elétrica, liberando o carro para ser movimentado
  11. Instale o conjunto dos cartuchos
  12. Meça a distância das mangueiras, para que fiquem livres e não prejudiquem o movimento do carro
  13. Prenda as mangueiras, com as presilhas que acompanham os kits
  14. Ligue a impressora novamente.
  15. A impressora irá solicitar cartuchos novos. Aperte o botão de troca de tinteiro uma vez para cada cartucho (se for Epson), mais um para que o carro se mova à posição de troca.
  16. Caso seu CISS possua botão de reset, esta é a hora de apertá-lo. Caso não tenha, ignore este passo.
  17. Aperte novamente o botão de troca de tinteiro, e pronto… A impressora estará pronta para começar a imprimir.
  18. Realize de um a dois testes de limpeza da cabeça, para eliminar qualquer bolha de ar do sistema.

Existem sistemas para outros tipos de impressoras, como as Canon, Brother e HP, e todas seguem os mesmos princípios.

Pessoalmente eu desaprovo o uso de CISS em cartuchos com circuito acoplado, como os HP 27 ou os Lexmark 16, porém algumas empresas desenvolveram soluções interessantes. A regra neste caso é sempre pesquisar, perguntar ao provedor e realizar testes. Nunca use cartuchos com muitas recargas ara a instalação deste sistema, ou seu investimento irá ser desperdiçado.

Principais problemas com o uso do sistema

Fora os problemas de falhas de instalação por impaciência do usuário, os maiores problemas dos CISS em uso são causados pela escolha da tinta errada. Nunca encha o sistema com outra tinta que não seja a inicial, pois, mesmo que as duas sejam de alta qualidade, pode haver alguma reação entre os componentes químicos, entupindo os cartuchos.

Existem sistemas específicos para a utilização de tintas pigmentadas e tintas sublimáticas, com mangueiras e reservatórios especiais. Consulte sempre seu provedor para que este possa lhe oferecer o mais adequado a seu uso.

Também existem várias tintas diferentes, umas com resistência à ultravioleta, outras não. Use sempre as melhores disponíveis, ou suas fotos esmaecerão em poucos dias.

Outro grave problema em uso é quando deixamos entrar ar no sistema, ocasionando mal funcionamento dos cabeçotes. Este problema só ocorre quando o usuário, distraído, deixa acabar a tinta dos tanques.

Um terceiro grave problema que ocorre com os CISS é quando o usuário coloca os tanques em um nível mais alto que a impressora. O sistema é um sistema aberto, de vasos comunicantes, e trabalha por diferença de pressão. Trocando em miúdos, se o usuário colocar os tanques acima do nível da impressora, a tinta irá vazar toda na mesa… E se colocar abaixo, o sistema não terá energia suficiente para sugar a tinta dos reservatórios, e novamente não funcionando…

Um quarto problema enfrentado com o CISS é com relação ao circuito do conjunto dos cartuchos. Lembramos que o circuito é um elemento eletrônico, sujeito a falhas de fabricação, porém uma vez instalado e funcionando, dificilmente queimará em sua vida útil.

Raro mas possível é o sistema vir de fábrica com uma versão de firmware diferente do que o da máquina. Seu provedor de CISS irá efetuar a troca, quando necessário.

A impressora também possui um reservatório interno de resíduos, dotado de algumas placas de feltro, absorvendo a tinta que é retirada regularmente da cabeça de impressão. É comum que instalem reservatórios externos de resíduos, para que se tenha um maior controle sobre ele. Peça sempre que um técnico de impressoras faça esta instalação, para que não tire a originalidade da mesma.

Quando há alguma falha de impressão, proceda com o teste de limpeza. A maior parte das falhas de impressão é devido a bolhas de ar na cabeça, e as eliminando-os com um ou dois procedimentos de limpeza, como menciona o Fabricante no manual do equipamento.

Um ponto a ser observado no uso dos CISS é com relação à vida útil do equipamento. Certamente um usuário deste sistema irá passar, em muito, o ciclo mensal de trabalho do equipamento. Não se desespere, mas é uma realidade. O usuário, nestas condições, deve se ater ao custo do equipamento, e, somando com o custo do sistema, calcular os custos totais das folhas impressas, que ficara ainda muito compensador.

Conclusão sobre o sistema

O sistema de alimentação contínua, ou CISS, é uma excelente ferramenta de impressão, se usado com determinadas regras. Use e abuse do sistema, e obtenha grandes benefícios com grande qualidade.

O Instituto Cássio Rodrigues foi fundado em 2006, pelo Eng. Cássio Rodrigues com o intuito de estudar, profissionalizar, qualificar e melhorar o mercado de remanufatura.

Seu Fundador, após 13 de experiência no ramo e verificando os motivos porque tantas empresas têm dificuldades em manter os padrões de qualidade aliados a falta de conhecimento não apenas no que se refere a questões técnicas, mas também, comercialização, fornecimento, logística e conhecimentos de marketing, criou o instituto onde o aluno encontra soluções para gerar um verdadeiro crescimento e lograr sucesso profissional. O mercado está mais exigente onde sobreviverão somente os melhores.

Contatos pelo e-mail: atendimento@cassiorodrigues.eng.br

As marcas, modelos e imagens aqui postadas são utilizadas meramente em caráter informativo.

Fonte: Revista Guia do Reciclador – Ano 5 – Nº32 – Abr/Mai 2009

info@guiadoreciclador.com
www.guiadoreciclador.com

1 Baseando-se nas Normas ISO/IEC 24711 e 24712

Sobre como adquirir Bulk Ink e insumos consulte: santiago@onport.com.br

3 respostas a CISS – HERÓIS OU VILÕES?

  1. JOSE ALVES DA SILVA diz:

    Parabéns pela informação, tava decidido em comprar uma impressora com toner já que tava ficando extremamente caro as recargas dos cartuchos e a substituição também, então conheci o sistema CISS e precisa de informação que não viesse que algum forum de discussão pois deixa muito a desejar. Encontrei aqui resposta para meus questionamentos. uma loja mim ofereceu o sistema por R$ 160,00 ta caro??

  2. Bruno diz:

    muito bom sua resenha, mas, a parte da durabilidade não está muito clara! O sistema dura apenas um mês?

    • onport diz:

      Ao ler também fiquei na dúvida mas a referência diz respeito à media de uso da impressora que os fabricantes utilizam e é um número que estabelecem para se isentar de possíveis atendimentos dentro da garantia. Quando vc imprime mais da média mensal e a máquina quebrar não teria direito à garantia. A média mensal depende de cada máquina.
      Obrigado pelo comentário.
      Ricardo

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